Pium, quarta 22 de novembro de 2017

Meio Ambiente

ICMBio atua de forma determinante pela desocupação de área invadida por indígenas no Parque Nacional do Araguaia

09/11/2017 10h10

TCNII - Ecos do Tocantins Registro de autoridades governamentais e indígenas na reunião de Lagoa da Confusão

Trajano Coelho Netto II – Ecos do Tocantins

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), através dos biólogos Marcos Leão (gestor do Parque Nacional do Araguaia) e Raoni Japiassú, e do fiscal ambiental Miguel Bonilha, participaram em Lagoa da Confusão na tarde de segunda feira, 6 de novembro, de reunião realizada com o propósito de solucionar a questão da invasão de terras federais no norte da Ilha do Bananal pela etnia Kraô, terras estas sob a responsabilidade e gestão da instituição ambiental.

O encontro foi presidido pelo Procurador de Justiça Álvaro Manzano, ocasião em que também fizeram-se presentes cerca de 50 indígenas das tribos Javaés, Karajás e Kraôs, caciques e guerreiros, alguns armados com lanças; representante da FUNAI Eduardo Macedo, executivo do INCRA Pedro Rezende, Defensor Público Alexandre, prefeito Nelsinho de Lagoa da Confusão e seu secretário de Planejamento Durval; O município de Pium, onde encontra-se situada a área ilegalmente ocupada, foi representado pelo assessor de comunicação do gabinete do prefeito Valdemir Barros.

Após abrir os trabalhos detalhando os motivos do encontro tribal e de membros de órgãos governamentais, o procurador Álvaro Manzano concedeu a palavra ao cacique Kraô Valdete, que justificou a invasão alegando ter a concordância de três caciques, um Karajá e dois Javaés, que conforme ficou esclarecido, posteriormente refluíram no apoio, declaradamente eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre o episódio. Valdete manteve-se irredutível e segundo informantes teria dito que “nem o Exército ira tirar o seu povo da área ocupada."

Já com o ânimo de alguns guerreiros das três etnias à beira da exaltação, seguiram-se inúmeras participações de indígenas, ora defendendo a permanência Kraô , ora exigindo a imediata retirada dos “ índios sem terra “ das terras federais do Parque Nacional do Araguaia. Os Javaés Darci e Vantuires e o Kraô Genésio, trocaram ameaças, Darci: vocês tem até o dia 10 próximo para desocupar a terra dos nossos ancestrais, se não, marquem o dia que nós vamos lá com todos os nossos guerreiros; Vantuires, presidente de associação representativa das aldeias Javaés (Conjaba), prometeu ajuda, más, somente após a retirada do espaço invadido, também deixando claro que se fosse necessário, fariam uso da força; Genésio bradou: “não se desafia a nação Kraô, temos muita gente por trás”.

Ao fazerem uso da palavra, os biólogos do ICMBio marcaram posição com muita propriedade. Raoni Japiassú reconheceu a tradição Javaé / Karajá, porém afirmou que somente a instituição que representam por delegação Federal, tem o poder de conceder posse ou retirar, afirmando com a ênfase que requereu a situação, que os Kraôs não poderiam ficar na área objeto da invasão, sob qualquer circunstância. Marcos Leão, esclareceu a missão do ICMBio, ou seja, a preservação das riquezas naturais da Ilha do Bananal, cujo espaço do litígio corresponde a sua face norte, e também assegurar os direitos legalmente estabelecidos para os indígenas. Citou a sua convicção que o entendimento seria o melhor caminho para a resolução do conflito, dirigindo-se aos representantes do Ministério Público, FUNAI, INCRA e Defensoria Pública, solicitando a imediata resolução do problema configurado, antes que ações drásticas fossem concretizadas entre as partes.

Sob o olhar atento do procurador Álvaro Manzano, Pedro Rezende (INCRA), colocou-se a disposição para levar o fato à presidência e colaborar na busca de soluções plausíveis; O Defensor Público Alexandre, solicitou ao executivo do INCRA a análise de outras áreas para a relocação dos “Indios sem Terra”; Eduardo Macedo (FUNAI), comprometeu-se a encaminhar à presidência do órgão, o pleito de desapropriação de uma nova área já escolhida e disponível para venda, bem como o encaminhamento dos indíos Kraô ao Ministério da Justiça, quando foi interrompido pelo cacique Valdete, alegando “que a FUNAI nada ainda fêz, nem mesmo o senador Vicentinho”.

Aguarda-se com expectativa um resultado rápido para os problemas criados pela etnia Kraô ao invadirem o Parque Nacional do Araguaia. Lutam pela sobrevivência, porém, utilizando meios ilegais como forma de pressão para a obtenção de terras. O ICMBio trabalha para que as leis sejam cumpridas no rito fiel de preservação das riquezas naturais do santuário ecológico, em sua maior parcela encravado no território de Pium.

   

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