Pium, quarta 22 de novembro de 2017

Meio Ambiente

Nossos Animais Silvestres: Pirarucu (Arapaima gigas)

11/11/2017 21h51

Créditos: Web Pirarucu, Arapaima spp. fotografados em seu habitat de águas claras.
  

Marcos Leão e Selene Vital

 

Pirarucu, Arapaima gigas (Schinz, 1822), é um peixe da Ordem: Osteoglossiformes, Família: Arapaimidae. É o maior peixe de água doce (fluvial e lacustre) da América do Sul, também conhecido como “Bodeco” e “Pirosca”. Seu nome popular tem origem em dois termos Tupis: pirá = “peixe”, e urucum = “fruto vermelho”; significa: Peixe de escamas e cauda vermelha da cor do urucum (Bixa orellana).

 

É um peixe grande, medindo de 3 a 3,5 metros de comprimento e pesando até 250 kg, tem como característica o corpo longo, roliço na frente e comprimido lateralmente na parte posterior, as nadadeiras dorsal e anal são alongadas contornando grande parte do corpo e quase se unindo a nadadeira caudal. Cabeça pequena e com superfície levemente achatada, boca subterminal, mandíbula prognata, língua grande e ossificada bastante áspera.

 

De coloração cinza-amarronzada e partes avermelhadas, e o ventre esbranquiçado. Possui dois aparelhos respiratórios, as brânquias para a respiração aquática, e a bexiga natatória modificada, especializada para funcionar como pulmão na respiração aérea, precisando subir a superfície em intervalos de aproximadamente 20 minutos.

 

Animal onívoro alimenta-se preferencialmente de peixes, mas incluem em sua dieta frutas, vermes, insetos, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis e até aves aquáticas.

 

O pirarucu foi considerado um gênero monotípico por quase 150 anos, incluindo apenas a espécie Arapaima gigas (Schinz, 1822), o erro é devido a uma publicação em um catálogo ictiológico, onde o zoólogo alemão Albert Günther, em 1868 listou as três espécies descritas pelo zoólogo francês Achilles Valenciennes: Arapaima agassizii, Arapaima arapaima e Arapaima mapae na sinonímia de Arapaima gigas sem apresentar análise ou razão.

 

Estudo recente evidência a validade da espécie Arapaima agassizii, e descrevem uma espécie nova da Amazônia Central. Outros estudos taxonômicos e genéticos mostram que ambos Arapaima arapaima e Arapaima mapae são espécies válidas. Existem no mínimo cinco espécies de pirarucu; é provável que exista um número ainda maior de espécies.

 

Espécie endêmica da bacia amazônica, habita principalmente áreas de planícies alagadas do Amazonas e território Essequibo, incluindo florestas alagadas, rios e lagos de águas claras e ligeiramente alcalinas. Seus habitats apresentam correntezas fracas ou nulas como aqueles encontrados em lagos.

 

Nas planícies alagadas dos rios de várzea, o ciclo de vida do pirarucu é altamente influenciado pelo ciclo anual das inundações. Vive nos lagos de várzea, mas também pode ser encontrado nos canais dos rios durante a temporada de seca. Quando o nível do rio sobe, o pirarucu adulto forma casal e constrói seu ninho a beira das florestas de restinga que circundam os ambientes dos lagos.

 

Realiza cuidado parental, o casal deposita, fertiliza, e cuida dos ovos até que estes eclodam. O macho cuida da prole, e migra para a floresta alagada, um ambiente mais rico em comida. Quando o nível das águas começa a descer, a prole e o pirarucu adulto começam a migrar para os canais, só depois migram para dentro dos lagos. É durante a seca que o pirarucu habita preferencialmente os lagos, onde são presas fáceis para pescadores.

 

O pirarucu era considerado um predador de topo da cadeia trófica, que por isso, regula a estabilidade do ecossistema que habita. No entanto, um estudo recente encontrou evidência de que o pirarucu é um peixe onívoro do meio da cadeia trófica; e até o momento não ficou determinado qual o papel que exerce para o ecossistema.

 

A principal ameaça é a degradação dos habitats, a sobre-pesca e a translocação de indivíduos para aquicultura. A degradação de habitat é a ameaça mais perigosa, visto que, a capacidade do pirarucu sobreviver em habitats degradados ainda é incerta.

 

A outra ameaça preocupante é a translocação de indivíduos. Devido à falsa noção de que só existe uma espécie de pirarucu, tem levado a uma translocação descontrolada de indivíduos jovens entre diversas partes da bacia, quase sempre para abastecer iniciativas de aquicultura. O pirarucu então colonizou rios vizinhos em relativamente pouco tempo. A introdução de espécie nova que é causada pela translocação descontrolada pode reduzir a variabilidade genética e até mesmo levar espécies locais à extinção.

 

O pirarucu, peixe símbolo da Amazônia, é uma espécie ameaçada de extinção devido à exploração predatória nos rios da região. Foi listado como “vulnerável” (V) na lista vermelha de espécies ameaças de extinção da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). Depois, passou a ser listado na categoria “dados insuficientes” (K). Isso significa que não é possível fazer uma avaliação criteriosa a respeito dos riscos de extinção com base na pouca informação existente.

 

O Arapaima gigas é a única espécie de peixe de água doce listada no Anexo II, proposto pela CITES (Convenção Internacional de Comércio de Espécies Ameaçadas). O estado de conservação do pirarucu no Brasil não foi avaliado rigorosamente, não tendo sido incluído na lista Brasileira de espécies ameaçadas de extinção proposta pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

CASTELLO, L. 2008. Lateral migration of Arapaima gigas in floodplains of the amazon. Ecology of Freshwater Fish 17:38-46.

 

CUVIER, G. 1822. Das Thierreich eingentheilt nach dem Bau der Thiere als ... . Mit vielen Zusatzenversehen von … .Stuttgart and Tubingen, Germany.

 

NEVES, A.M.B. 1995. Conhecimento atual sobre o pirarucu, Arapaima gigas (Cuvier 1817). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Zoologia 11:33-56.

 

WWF BRASIL (https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/biodiversidade/especies_do_mes/agosto_pirarucu.cfm).

 

 

Marcos Leão e Selene Vital - são redatores da coluna Meio Ambiente.

 

 

   

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