Pium, quarta 28 de junho de 2017

Meio Ambiente

Editado o primeiro Guia de Serpentes do Tocantins

16/06/2017 03h30

Selene L. Vital, Marcos Leão (Pium) , Wanieculli Páscoal (Araguaína) e outros Mapas de incidências de algumas espécies
* Marcos Leão e Selene Vital

O bioma Cerrado se destaca por possuir uma elevada biodiversidade e alto índice de endemismo de espécies. A rápida degradação de hábitats que o Cerrado brasileiro vem sofrendo devido às desenfreadas ações do ser humano, tem comprometido este bioma, temos como resultados, muitas espécies da fauna e da flora que têm sido perdidas, algumas antes mesmo de serem conhecidas pela ciência.

As serpentes constituem um grupo animal de elevada importância biológica nas comunidades em que vivem, especialmente por ocuparem o posto de predadores de topo de cadeia ecológica, controlando as populações de vários outros grupos animais (por exemplo: roedores, morcegos, pássaros, anfíbios, moluscos etc.).

Para querer preservar a biodiversidade, é necessário que a conheçamos. Outra contribuição importante, pouco destacada, é a farmacologia estudada e disponibilizada através de frações isoladas do veneno de serpentes. Um exemplo é o anti-hipertensivo Captopril, muito eficiente no controle da pressão alta, que está no mercado desde a década de 60.

Fruto do trabalho de dois anos de pesquisas do Mestrado (em Ciências do Ambiente pela Universidade Federal do Tocantins - UFT) da Bióloga Raiany Cruz, o “Guia de Serpentes do Tocantins”, é um guia que reúne 125 fotografias coloridas de 96 espécies de serpentes, registradas para o estado, distribuídas em 9 famílias. Sob orientação da professora Carla Simone Seibert (Universidade Federal do Tocantins - UFT), Marco Antônio de Freitas (ICMBio, ESEC Murici-AL), Sávio Stefanini Sant’Anna (Instituto Butantan) e com a colaboração do professor Paulo Sérgio Bernarde (Universidade Federal do Acre – UFAC).
 
O agrupamento dos dados foi resultado de pesquisa nos relatórios de empreendimentos de grande porte no estado do Tocantins, disponibilizados pelos órgãos ambientais (IBAMA e Naturatins), registros fotográficos de colaboradores – dentre eles: Cleidiane Coutinho, Diego Battistella, Marco Freitas, Marcos V. P. Souza-Leão, Rostam Campos, Selene L. Vital, Silionamã Dantas e Wanieulli Pascoal – e compilação de dados de artigos que retratam a fauna de serpentes local e para os biomas e estados fronteiriços, onde foi possível ter a aproximação de representação da interação faunística de serpentes para o Tocantins.
 
Os registros fotográficos mostram os diferentes padrões morfológicos que algumas espécies apresentam; a variação ontogenética de colorido de espécimes adultos e juvenis; o mimetismo e coloração aposemática; e cada espécie vem acrescida da descrição de hábito, tamanho, forma de nascimento dos filhotes, dentição e também um mapa para a verificação da ocorrência nos municípios tocantinenses, este está disposto com colorido azul para as serpentes não peçonhentas e colorido vermelho para as espécies que são de importância médica. E para orientação da população quanto a Unidade de referência mais próxima da sua localidade que é abastecida com soroterapia, tratamento específico no caso de acidentes, há uma tabela com o nome do município, endereço e número de telefone de cada unidade.
 
Este trabalho constitui um inédito inventário das espécies de serpentes que ocorrem no estado do Tocantins, nos mais variados ambientes, desde campo limpo, campo sujo, campo rupestre, Cerradão, mata seca, as formações florestais e semi-áridas dos Ecótonos Cerrado-Amazônia e Cerrado-Caatinga, respectivamente.

Alguns destaques da obra são para a espécie Siagonodon acutirostris que possui distribuição geográfica restrita ao Tocantins (endemismo); a ampliação de distribuição para Araguaína das espécies Apostolepis nelsonjorgei, até então, registrada no Tocantins na Estação Ecológica Serra Geral  e Porto Nacional, e Corallus batesii sendo o terceiro registro no norte do estado.

Destinado não apenas para profissionais e estudantes das áreas biológicas, ambientais, veterinárias, zootecnia e da saúde, como também para todos aqueles que querem obter um maior conhecimento sobre a diversidade e biogeografia das serpentes. O “Guia de Serpentes do Tocantins” estará disponível para o público a partir do segundo semestre, e vem com objetivo de preencher uma lacuna como obra de referência completa e atualizada sobre as serpentes do nosso Estado.

* Marcos Leão e Selene Vital são Biólogos e pesquisadores baseados em Pium - TO

   

Comentários (1)

  • Maurico Lima | 17/06/17 09h56

    Excelente trabalho, o conhecimento das espécies que ocorrem nas regiões é vital para sua preservação e conhecimento da importância desse grupo no ambiente, além de contribuir para a educação ambiental desmistificando possíveis erros de senso comum.

Jornal Ecos do Tocantins    |    Contato: trajanocoelho@gmail.com    |    (63) 98444-2993