Pium, sábado 16 de dezembro de 2017

Meio Ambiente

Nossos Animais Silvestres: Jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis)

03/12/2017 12h05

Créditos: Web. Jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis) as três subespécies.
 

Marcos Leão e Selene Vital

 

O Jacamim-de-costas-verdes, Psophia viridis (Spix, 1825) é uma ave da Ordem Gruiformes, Família Psophiidae. Ave de médio porte, medindo cerca de 50cm de comprimento e 46cm de altura, pesando até 1,5kg. (de porte similar ao frango doméstico); possui plumagem predominantemente negra aveludada, pescoço reflete iridescência púrpura, apresentando as costas (terciárias e escapulares) de coloração verde-oliva.

 

De aparência galinácea e típica da Amazônia, é o mais conhecido dos Jacamins. É endêmica do Brasil e apresenta distribuição geográfica do leste do rio Madeira ao oeste do Maranhão, em florestas úmidas e em planícies de inundação do leste da Amazônia Brasileira.

 

Etimologicamente, seu nome científico [do Grego] psophos = ruído, som inarticulado, aquele que faz barulho forte; [do Latim] viridis = verde. Significa: “Aquele que faz ruído forte e é verde”. Seu nome popular tem origem no termo Tupi: iacami = cabeça pequena; significando “aquele que tem a cabeça pequena”.

 

Contam atualmente com três subespécies reconhecidas:  Psophia viridis viridis (Spix, 1825) com manto vivamente verde, bico e pés claros; distribui-se no interflúvio Madeira-Tapajós. Psophia viridis dextralis (Conover, 1934) com manto marrom-oliváceo, bico e pernas negras; encontrado no interflúvio Tapajós-Tocantins. Psophia viridis obscura (Pelzeln, 1857) apresenta o manto marrom-oliváceo escuro; ocorre no nordeste do Pará, a leste do rio Tocantins até o oeste do Maranhão; encontra-se ameaçada de extinção. Além de Psophia viridis interjecta (Griscom & Greenway, 1937) cuja validade tem sido questionada.

 

De morfologia singular, os Jacamins possuem a cabeça pequena, bico forte, recurvado e relativamente curto; pescoço alongado, curvo, recoberto por penas curtas, densas e de aparência aveludadas; corpo de aparência corcunda com asas curtas, largas e decaídas, com potencial de vôo reduzido; cauda curta e mole; pernas altas e dedos curtos. Sem dimorfismo sexual, o macho é um pouco menor que a fêmea.

 

Ave exclusiva de floresta equatorial úmida e bem preservada, habita o chão de matas sombrias, preferencialmente de terra firme. De hábitos diurnos, andam em casais ou em pequenos bandos de 3 a 13 indivíduos. Ao anoitecer ficam inquietos até achar um poleiro para dormir.

 

Quando acontecem os cortejos nupciais, o Jacamim-de-costas-verdes para conquistar a parceira, intimidar os rivais, ou quando excitado, corre e salta em círculos, além de movimentar as asas e o pescoço de forma característica. Possui vocalização “cavernosa”, surda, emitida com bico fechado e soa como um “u” prolongado.

 

Nidificam em cavidades naturais na copa das árvores e no alto das palmeiras a uma altura entre 8 e 13m do solo, podendo chocar até 6 ovos, arredondados e brancos. O período de incubação dura em torno de 27 dias, e os filhotes são castanhos-claros, manchados de cinza.

 

Sua dieta é essencialmente frugívora, porém, também alimentam-se de sementes, pequenos vertebrados, insetos (cupins, formigas etc.) e outros artrópodes (centopéias etc.), são eficientes dispersores de sementes pelas florestas, deixando por onde passa a serrapilheira revolvida e a terra exposta. Há relatos de serem saprófagas oportunistas, por apresentarem o hábito de comer carniça eventualmente.

 

O Psophia viridis é uma espécie classificada como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha Mundial da IUCN (International Union for Conservation of Nature). Tem como principal ameaça, a perda e a fragmentação de habitat (são aves exclusivas de floresta, a destruição parcial ou total destas áreas, tornam-as impróprias), devido aos desmatamentos desenfreados para diversos fins, os incêndios florestais, as expanções antrópicas; e a caça indiscriminada realizada por seres humanos, assim como a sua captura para animal de estimação (xerimbabos).

 

BIBLIOGRAFIA

  

SICK, H. 1986. Ornitologia Brasileira, Uma Introdução; Vol. I, 2ª Edição. Editora Universidade de Brasília. Brasília – DF.

 

SIGRIST, T. 2013. Avifauna Brasileira - Guia de Campo Avis Brasilis; 3ª Edição. Avis Brasilis Editora. São Paulo.

http://www.wikiaves.com.br

 

 

Marcos Leão e Selene Vital - são redatores da coluna Meio Ambiente.

 

 

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