Pium, sexta 22 de setembro de 2017

Agronegócios

Com bom nível de produção, agricultores do Manuel Alves enfrentam falta de crédito e necessitam da conclusão da irrigação

03/09/2017 09h59

Arquivo Secom Sem o sistema de irrigação atender por completo o projeto, o aumento da produção fica impossibilitado

DANIEL MACHADO
DE PALMAS

Montado inicialmente com 20 mil hectares e para pequenos produtores rurais, o projeto Manuel Alves, na região de Dianópolis, no Sudeste do Estado, avança com bons níveis de produção. No entanto, há uma mudança gradativa no quadro, com produtores grandes ou médios comprando os lotes dos pequenos e tomando conta do espaço.

Além disso, os produtores de pequeno porte que permanecem no local enfrentam problemas de falta de acesso a crédito e o governo do Estado não entregou o projeto por inteiro. Pelo contrário, mais da metade da área não recebe a irrigação, o que trava o aumento da produção e, claro, o desenvolvimento do próprio projeto.

Nessa semana, o Norte Agropecuário entrevistou quatro produtores da região. As perguntas foram simples e tiveram como tema os avanços e as necessidades.

Confira, abaixo, o que falou cada um dos entrevistados:

Eloni Zuchi

O nível de produção, nas áreas que estão irrigadas, é muito bom. “Eu tenho colhido tudo o que planto, como maracujá, pinho, manga e abacaxi. Minha plantação é mais para subsistência e pequenas vendas.”

O que está faltando, porém, é um apoio maior do governo, tanto para ajudar a obter financiamentos que possibilitem o aumento da produção, ou, então, fornecer uma ajuda de custo em insumos para o plantio. “Não precisamos necessariamente de dinheiro. Com insumos, teríamos como aumentar e muito a plantação e todos iam sair ganhando, já que teríamos como pagar o Estado com facilidade depois”, ressaltou.

Milton Albuquerque, o Milton da Banana

A produção está muito boa, disse o produtor. “Os quatro hectares irrigados de banana vendo tudo. Caso tivesse mais área irrigada, seria possível ampliar a venda”, afirmou. Atualmente, a produção na área fica em 20 toneladas por hectare por mês. Caso os 13 hectares da área estivessem recebendo irrigação, seria possível produzir 600 toneladas por mês, se o projeto estivesse funcionando plenamente. O produtor afirmou entender as dificuldades do governo, mas ressaltou que o edital previa os 13 hectares irrigados e espera que o Estado consiga cumprir o projeto.

Aldori Trevisol de Oliveira

Em seu lote se produz banana, abacaxi e manga. “Na minha propriedade, o mais significativo é o palmito de pupunha e algo de caju”, frisou. O palmito é vendido para ser industrializado. A produção é toda vendida, mas há uma dificuldade por estar longe de Palmas e o mercado do Sudeste não comporta o que obriga a baixar o preço para conquistar mercado na capital.

A grande dificuldade é o acesso ao crédito. “A grande maioria teve problemas de não acessar o crédito e os que tiveram hoje estão inadimplentes”, ressaltou.

Como os lotes do projeto são adquiridos por meio de licitação e parcelamentos, os terrenos não servem de garantia para empréstimos. O Estado chegou a cogitar fazer um fundo de aval, no valor de R$ 2 milhões, mas isso não se concretizou. Por outro lado, o fato de o Estado bancar a energia elétrica do projeto é muito positivo. Contudo, a falta de conclusão do projeto atrapalha.

Josimar Dias Siqueira

Falta assistência técnica é um dos problemas. A produção de citros não é muito grande, mas possui grande potencial para crescer. “A gente vem aprendendo sozinho”, frisa.

Para ele, o governo peca muito em não ter entregue todos os lotes da administração passada. Defende uma auditoria no projeto que, no fim, acabe com benefícios irregulares que poucos têm. “O governo precisava terminar essas licitações e fazer uma auditoria”, salienta. Sobre pontos positivo, diz que o governo contribui com a energia e com funcionários.

   

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