Pium, quarta 26 de setembro de 2018

Meio Ambiente

Nossos Animais Silvestres: Cascavel (Crotalus durissus)

28/01/2018 20h27

Créditos: Selene Vital. Cascavel (Crotalus durissus collilineatus), subespécie procedente da Ilha do Bananal/Parque Nacional do Araguaia.
  

Marcos Leão e Selene Vital

 

Cascavel, Crotalus durissus Linnaeus, 1758 um réptil da Ordem Squamata, Subordem Ophidia, Família Viperidae, subfamília Crotalinae. Também conhecida como Maracamboia e Boicininga. É uma serpente de médio-grande porte e robusta, o macho pode alcançar até 1,63 metros de comprimento, a fêmea é geralmente menor; chegam a pesar até 6 kg quando adultas.
 

O gênero é bem caracterizado com uma estrutura em forma de anéis na extremidade posterior do corpo (vestígios cornificados da pele que aderem à base da cauda durante a troca de pele), o chocalho que em estado de excitação produz ruído característico; tem hábito terrícola, e apresenta atividade crepuscular e noturna, podendo ser avistada durante o dia.

 

De forma geral, apresenta colorido predominante de fundo marrom escuro, claro, castanho ou cinza; no dorso com losangos longitudinais de cores escuras envolvidos de cor creme ou branco; os primeiros são estriados, formando faixas longitudinais no pescoço; o ventre é de cor marfim; a coloração dorsal e ventral torna-se marrom escuro à medida que se aproxima da ponta cauda. Indivíduos provenientes de florestas são maiores e de coloração mais escura que os indivíduos de áreas savânicas.

  

Peçonhenta, possui pupila vertical, “fossetas loreais” e dentição solenóglifa. Apresentam discreto dimorfismo sexual, com os manchos possuindo corpos e caudas relativamente mais longos, e as fêmeas com corpos relativamente mais largos e caudas mais curtas. Machos possuem listras paravertebrais significativamente mais longas.

 

Tem distribuição geográfica restrita à América do Sul, da Colômbia até a Argentina de forma descontínua. No Brasil ocorre nos cerrados do Brasil central, nas regiões áridas e semi-áridas do Nordeste, nos campos e outras áreas abertas das regiões Sul, Sudeste e Norte. Algumas populações isoladas em enclaves savânicos dentro da Floresta Amazônica nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima.

 

A espécie Crotalus durissus com sete subespécies descritas para o Brasil, Crotalus durissus dryinus Linnaeus, 1758; Crotalus durissus terrificus (Laurenti, 1768); Crotalus durissus cascavela Wagler, 1824; Crotalus durissus collilineatus Amaral, 1926; Crotalus durissus ruruima (Hoge, 1965); Crotalus durissus marajoensis (Hoge, 1966); Crotalus durissus trigonicus Harris & Simmons, 1978.

 

A subespécie Crotalus durissus collilineatus Amaral, 1926, com estrias paravertebrais sempre mais largas do que 2 escamas (geralmente 3), com estrias paravertebrais sobre estrias escuras contínuas; no Brasil tem distribuição nos estados do Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, no sul até a Argentina.

 

Possui dieta generalista, alimentam-se exclusivamente de vertebrados, principalmente pequenos roedores (mamíferos), lagartos (répteis), e pequenos pássaros (aves). Quando jovens alimentam-se basicamente de lagartos e quando adultos de pequenos mamíferos e aves. Costuma caçar de espera sobre o chão, mantendo-se enrodilhada com o pescoço em “S”, ou raramente em caça ativa, com deslocamento à procura da presa. Detectam suas presas através da temperatura das mesmas através da fosseta loreal (órgão sensorial com função de orientação térmica, constituído de um pequeno orifício localizado na cabeça, ente os olhos e a narina).

 

Apresenta ciclo reprodutivo bianual, com época de acasalamento influenciado pelas variações sazonais. De reprodução vivípara, tem gestação de 4 a 5 meses, parindo de 06 a 22 filhotes numa mesma ninhada, nascendo entre o final da estação seca e início da estação chuvosa (que coincide com maior atividade de pequenos mamíferos) e raramente nos meses mais secos.

 

Etimologia: O nome científico [do Grego] Crotalus = chocalho, guizo, em alusão ao conjunto anéis que se encontra localizada na extremidade posterior dos indivíduos do gênero; e durissus [do Latim] durus, durissus = duro, muito duro, com referência as escamas ásperas que revestem todo o seu corpo; significado: Serpente de “chocalho, que possui escamas muito duras”. E o nome da subespécie collilineatus [do Latim] colli = colo, pescoço + lineatus = linhas; significando: a que tem “linhas no pescoço”, devido ao padrão de coloração das escamas nessa região.

 

O nome popular: “cascavel” é um termo da língua portuguesa que se refere aos guizos e chocalhos, originariamente, “serpente-de-cascavel” que posteriormente passou a se chamar apenas “cascavel”. Da língua Tupy: “maracamboia”, maraca = chocalho ou guizo + bói = cobra. Também “boicininga”, bói = cobra + cininga, tixin’ni = que “tine”, faz barulho.

 

Diferente do que se preconiza popularmente, o número de anéis no chocalho das cascavéis não representam a idade do indivíduo, mas sim o número de vezes que o mesmo mudou de pele, o que pode ocorrer de duas a mais vezes ao ano, dependendo do seu estado nutricional (seu desenvolvimento corporal); cada muda acrescenta um novo anel no chocalho. Frequentemente, as serpentes mais velhas perdem os anéis terminais por desgaste físico.

 

Classificada como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha Mundial da IUCN (International Union for Conservation of Nature) devido a sua ampla distribuição e tolerância a uma ampla variedade de habitats, inclusive degradados e sobre influências antrópicas, e por não existir relatos de declínios significativos da população. Tem como principais ameaças a espécie os repetidos incêndios florestais; a matança realizada pelo homem (por ignorância e preconceito); o tráfico de animais silvestres e a biopirataria.

 

A Cascavel (Crotalus durissus) contrariando o que se divulga, é responsável apenas por 8% acidentes ofídicos (do Grupo II - Crotálico) que ocorre no Brasil. Devido à sua natureza perigosa, mas não agressiva, fogem rapidamente quando avistadas. O veneno possui atividades neurotóxica, miotóxica e coagulante, e o tratamento é realizado com soroterapia específica, utilizando o “soro anticrotálico” ou “soro antibotrópico-crotálico”.

 

As serpentes costumam empreender fuga diante da aproximação de seres humanos e de animais de grande porte, porém, quando é surpreendida voluntária ou involuntariamente, tende a imobilidade e se defendem com uma série de “botes defensivos”, originando assim os acidentes ofídicos.

 

 

BIBLIOGRAFIA


FREITAS, M. A. & SILVA, T. F. S. 2005. Herpetofauna da Mata Atlântica Nordestina. USEB, Pelotas, 164 p.

 

GRANTSAU, R. K. H. 2013. As Serpentes Peçonhentas do Brasil. Vento Verde Editora. São Carlos - SP. 1ª Ed. 320 p.

 

MARTINS, M. & LAMAR, W. W. 2010. Crotalus durissus. Lista Vermelha da IUCN de Espécies Ameaçadas. Acesso em: 28 de janeiro de 2018.

 


Marcos Leão e Selene Vital são redatores da coluna Meio Ambiente/Ecos do Tocantins.

 

 

   

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