Palmas, segunda 29 de maio de 2017

Política

TRAJANO COELHO NETO, MÁRTIR DE AÇÃO IDEALISTA E OBSTINADA NA LUTA PELA EMANCIPAÇÃO DO TOCANTINS

19/04/2017 06h01

Arquivo de família Jornalista e empresário Trajano Coelho Neto
 
Trajano Coelho Neto, nasceu em Santo Antônio do Balsas - MA em 28 de dezembro de 1916 e morreu assassinado por seus adversários políticos em 13 de abril de 1961, na cidade goiana de Pium.

Filho do casal de proprietários rurais Mário e Adalgisa Coelho, iniciou seus estudos no Colégio Professor Joca em Balsas e segundo registros de época, projetou-se por sua elevada inteligência. Por suas perspectivas, transferiu-se anos mais tarde para a capital São Luiz .

Notabilizou-se por seu carisma, transformando-se em poeta, escritor e jornalista admirado por seus dotes, tendo trabalhado na redação de alguns jornais da capital maranhense. Político de refinada oratória e ações determinantes, Trajano Coelho Neto foi um dos principais líderes Integralistas, com nacional reconhecimento .

Casou-se em 5 de abril de 1938 com Maria Teixeira Coelho, fixando domicílio cinco anos depois do enlace na cidade goiana de Pium, onde tornou-se minerador e exportador na fase áurea da extração do Cristal de Rocha, com plano estabelecido de alavancar o desenvolvimento regional através do polo de mineração.

Em 1945, fixou-se com a família na cidade de Anápolis - GO, onde dedicou-se ao comércio. No ano da graça de 1946, retornou e novamente se estabeleceu em Pium-GO, dedicando-se ao comércio, jornalismo e atividades agropecuárias até o último de seus dias.
Nos dias de 1953, cumprindo sua inequívoca vocação de educador, fundou a Escola Normal Regional e o Ginásio de Pium, bem como a Escola Normal Regional de Cristalândia, que depois foi fechada por adversários políticos.

Em 1951 fundou o jornal impresso "Ecos do Tocantins" , do qual também era o redator chefe. A Revista " Anuário do Tocantins " , também veículo da luta pela criação do Estado, foi criada em 1957. O emancipacionista tinha a própria esposa, Maria Teixeira Coelho (Maroquinha), como companheira da luta separatista, auxiliando-o na confecção do Jornal Ecos do Tocantins e da Revista Anuário do Tocantins, e inúmeras outras funções que a História atribui à esta grande mulher.

Eleito prefeito municipal da cidade de Pium-GO em 1960, consagrou-se vitorioso pela maioria absoluta dos votos possíveis. Ungido por uma força moral extraordinária, exerceu relevante influência nos meios que frequentava, sendo estimado e respeitado por quantos o conheciam. Sua memória e inteligência pródigas tornavam sua figura altiva um ser iluminado e solidário.

Com rara diplomacia e habilidade, soube adaptar-se às circunstâncias , cultivando boas elações com os mais altos representantes políticos e dignatários do Estado e da República, líderes classistas e os mais humildes trabalhadores sertanejos e da atividade mineradora. Nos seus poucos meses de gestão, despertou grande entusiasmo e esperança de progresso em toda a região.

Trajano Coelho Neto não pode tornar realidade o planejamento que fizera. Em 13 de abril de 1961, foi assassinado a mando de políticos descontentes que temiam a capacidade de trabalho e a personalidade forte daquele líder, que de forma predestinada amou a Justiça, a honradez, a nobreza e a honestidade.

Ao ser ceifado pela morte, Trajano Coelho Neto deixou esposa , seis filhos e dois Netos, além de trilhas e espaços na História Política do Estado do Tocantins que suas mãos e ímpeto ajudaram a criar.

A largada para o surgimento de mais uma unidade federada do Brasil, foi efetivamente iniciada em 1809, pelo gesto de D. João VI ao assinar o ato de criação da Comarca do Norte, fato este historicamente configurado como o gerador da emancipação da região, que 180 anos depois resultaria na criação do Estado do Tocantins, pela carta constitucional de 1988.

A libertação política do norte goiano teve como seu primeiro protagonista o Desembargador Joaquim Teotônio Segurado, que em 1821 chegou a proclamar um governo autônomo, iniciativa esta prontamente reprimida.

O movimento então mostrou-se em condição de debilidade, até que em 13 de maio de 1957, liderados pelo Juiz de Direito de Porto Nacional Dr. Feliciano Machado Braga, o empresário e jornalista Trajano Coelho Neto, Brigadeiro Lysias Rodrigues, Prof. Fabrício César Freire, o Bioquímico Dr. Oswaldo Ayres da Silva, o Advogado Dr. Francisco Mascarenhas, o Escrivão Pethion Pereira Lima, o Odontólogo Dr. Severo Gomes e outras personalidades da época, recriaram forças e conjuntamente com os dirigentes da Associação Tocantinense de Imprensa (ATI), Conorte, Casa do Estudante do Norte Goiano (Cenog) e União Artística e Operária (UAO), lançaram o "Movimento Pró-criação do Estado do Tocantins" que em 1988 sagrou-se vitorioso constitucionalmente.

A concepção e complexa gestação da abençoada Terra Tocantinense, jamais pode ser atribuída a uma só personalidade. O fundamental trabalho dos visionários, o apoio da população nativa e de parlamentares de todos os quadrantes geográficos do país, simpatizantes da causa, concretizaram o sonho secular, fazendo ecoar pelos poderes da República um brado coletivo de independência.

Tentativas para bloquear o surgimento de uma nova estrela na Bandeira do Brasil, foram feitas pelo então poderoso senador maranhense José Sarney, que notabilizou-se como um adversário da causa do povo tocantinense. Causa apoiada pelo ex-governador de Goiás, Henrique Santillo.

No transcorrer do jogo político e de inconfessáveis interesses, um fato inusitado chamou a atenção de todo o Brasil, quando o parlamentar José Wilson Siqueira Campos e seu " fiel escudeiro " Totó Cavalcante " representaram teatralmente uma greve de fome, pelo surgimento do estado através da chamada " Constituição Cidadã " . De Siqueira Campos não se tira os méritos da importante participação no processo separatista, mas ao se professar o responsável por sozinho empunhar a Bandeira da criação do estado, depois de uma luta secular de muitos heróis e mártires, criou uma distância abissal entre a pretensão de projetar-se política e historicamente e a incontestável realidade.

O atentado covarde que tirou a vida de Trajano Coelho Neto, não fez perecer suas virtudes, ou arrefeceu os ânimos de seus atos, que transpassaram os portais do tempo, inspirando todos aqueles que empreenderam a árdua luta pela conquista do Tocantins.

Louvado sejam todos os heróis e mártires que tornaram possível a criação, o desenvolvimento e o progresso de nossa sagrada terra...



Trajano Coelho Netto II
 Jornalista  Tocantinense natural de Pium - TO
* trajanocoelho@gmail.com *

   

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