Pium, segunda 22 de janeiro de 2018

Meio Ambiente

Nossos Animais Silvestres: Gavião-real (Harpia harpyja)

31/12/2017 14h12

Créditos: Web. O Gavião-real (Harpia harpyja) filhote, fêmea e macho.

 

Marcos Leão e Selene Vital

 

O Gavião-real, Harpia harpyja (Linnaeus, 1758) é uma ave da Ordem Accipitriformes, Família Accipitridae. Também conhecida como Harpia, Gavião-de-penacho e Uiraçu. Águia de grande porte, mede de 90 a 105 cm de comprimento; ambos os sexos são semelhantes, mas a fêmea é bem maior, pesam de 4 a 5 kg (macho) e de 7 a 9 kg (fêmea). Possui asas largas, curtas e arredondadas, atingindo em média 2 metros de envergadura.

 

Apresenta quando adulto a plumagem da cabeça cinza com penacho escuro e bipartido, o dorso cinza-escuro, pescoço com largo colar negro, peito e abdome branco, calção e partes inferiores das asas branco com estrias negras, cauda longa, escura com três barras de um cinza-claro. Quando jovem a plumagem é clara, variando do branco ao cinza, tornando-se mais escura a cada ano, o imaturo leva de 4 a 5 anos para atingir a plumagem adulta.

 

Etimologicamente, tem seu nome científico [do Latim] harpe = ave de rapina, e harpyja, harpuiai = ave mitológica grega (metade águia e metade mulher). Tendo o significado de: “A ave de rapina que é semelhante a ave mítica grega - metade águia, metade mulher”.

 

É uma águia enorme, uma das maiores, a mais forte e poderosa do mundo, é a maior ave predadora do continente Americano. Possui o bico cinza-ecuro e em forma de gancho, muito potente, as pernas amarelas (da espessura do punho de um homem adulto), e os pés fortes com longas garras negras, e unha do halúx de até 7 cm.

 

Apresenta distribuição geográfica do México à Bolívia, norte da Argentina e quase todo o Brasil, nesse último, tem registros para os biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, nos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, sul da Bahia, norte do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, leste de São Paulo e de Santa Catarina, e norte do Rio Grande do Sul.

 

Habitam florestas primárias e florestas de galeria, sobretudo na Amazônia ou em áreas protegidas, a exemplo das reservas de Mata Atlântica no sudeste do Brasil. Espécie rara, imponente e monotípica (não são reconhecidas subespécies), vive solitária ou aos pares nas copas das árvores.

 

Caça por espreita, fica pousada procurando suas presas por longos períodos, o que a torna discreta e pouco notada, apesar do seu grande porte. Ao localizar uma presa, desloca-se com agilidade entre as copas das árvores, capturando suas presas tanto nas árvores quanto no solo. Devido a deferença de tamanho entre os sexos, o casal se especializou em caçar presas diferentes, o macho menor e mais ágil, caça pequenos mamíferos terrestres e aves, a fêmea maior e mais lenta, caça macacos, prequiças e outros mamíferos maiores.

 

Possui dieta generalista e variada, a base da sua alimentação é constituída de mamíferos arborícolas, como preguiças (Bradypus spp. e Choloepus spp.), macacos pregos (Cebus spp.) guaribas (Alouatta spp.), guigós (Callicebus spp.), cuxiús (Chiropotes), macacos cabeludos (Pithecia spp.), marsupiais (Didelphis spp. e Philander spp.), ouriços cacheiros (Coendou spp.), jupará (Potos flavua) e terrícolas, como quatis (Nasua nasua), cutias (Dasyprocta spp.), tatus (Cabassous spp.; Dasypus spp.; Euphractus sexcinctus), cachorro do mato (Cerdocyon thous), filhotes veados (Mazama spp.) e outros. Também captura de aves como mutuns (Crax spp.), araras (Ara spp.), seriemas (Cariama cristata); e répteis: iguanas (Iguana spp.) e várias serpentes.

 

Ave monogâmica, constrói seu ninho em formato de plataforma com pilhas de galhos, no alto das maiores árvores, a exemplo da sumauma (Ceiba pentandra), jatobá (Hymenaea spp.), castanheira (Bertholletia excelsa), de onde pode observar tudo ao seu redor. Chocam 2 ovos, cinza-esbranquiçados entre setembro e novembro, quando o macho fica responsavel pelo fornecimento de comida.

 

O período de incubação dura em torno de 52 - 56 dias, e os filhotes são integralmente brancos com raras manchas cinzas; geralmente apenas um filhote sobrevive, podendo ocorrer cainismo. Os primeiros vôos do filhote leva em torno de 5 meses, e ele vai depende dos cuidados dos pais por um ano ou mais; atinge a idade adulta aos 2 a 3 anos.

 

A espécie não se reproduz todos os anos, pois necessitam de mais de um ano para completar seu período reprodutivo. Estima-se um territorio muito maior que 100 hectares para o Gavião-real habitar; podendo pecorrer (home range) uma area maior do que 800 hectares.

 

Tem como principais ameaças, a perda e fragmentação do habitat, devido aos desmatamentos desenfreados para os diversos fins e os repetitivos incêndios florestais; as expanções antrópicas; a caça para alimentação humana (representa um grande problema para sua conservação, uma vez que o Gavião-real é uma espécie rara e depende de indivíduos adultos para a estabilidade populacional); a diminuição da biodiversidade nos remanescentes (em especial das populações de mamíferos arborícolas); o tráfico de animais silvestres e a biopirataria.

 

A Harpia harpyja é uma espécie classificada como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha Mundial da IUCN (International Union for Conservation of Nature). Encontra-se listada no Anexo I da CITES (Convention on International Trade in Endangered Species).

 

PAN - Aves de Rapina

Plano de Ação Nacional para a Conservação de Aves de Rapina é o quinto plano da série e tem como objetivo conservar as populações de gaviões, falcões, águias, corujas e urubus, as aves que ocupam o topo da cadeia alimentar nas suas áreas de distribuição atual, visando à conservação dessas espécies. O plano deve ser revisado periodicamente como forma de monitorar e avaliar as ações executadas e atualizar as necessidades de preservação.

 

BIBLIOGRAFIA

 

GWYNNE, J. A. ... [et al.]. 2010. Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado. Editora Horizonte. São Paulo. Comstock Publishing Associates. Nova York, NY.

 

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBio. 2008. Plano de Ação Nacional para a Conservação de Aves de Rapina. Brasília, Cemave, MMA.

 

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBio. 2016. Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Amazônia. Brasília, Cemave, MMA.

 

SICK, H. 1986. Ornitologia Brasileira, Uma Introdução; Vol. I, 2ª Edição. Editora Universidade de Brasília. Brasília – DF.

 

SIGRIST, T. 2013. Avifauna Brasileira - Guia de Campo Avis Brasilis; 3ª Edição. Avis Brasilis Editora. São Paulo.

 

 

Marcos Leão e Selene Vital - são redatores da coluna Meio Ambiente/Ecos do Tocantins.

 

 

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