Pium, sexta 22 de setembro de 2017

Meio Ambiente

O Brasil carece urgentemente de Inventários - Corremos o risco de extinguir espécies que não chegamos a conhecer (I)

08/09/2017 12h33

Créditos: Iuri Ribeiro Dias e Euvaldo Marciano Junior Foto 01. Dendropsophus nekronastes sp.nov. Foto 02. Phyllodytes megatympanum sp.nov. com o detalhe da mancha amarela entre as pernas
Marcos Leão e Selene Vital 

O Brasil é o país de maior biodiversidade do mundo, em nosso território existem sete biomas, segundo o Ministério do Meio Ambiente – MMA, são eles: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e Zona costeira e marinha, e três áreas distintas de transição (Ecótonos): Amazônia-cerrado, Amazônia-caatinga, Caatinga-cerrado.

Todos esses biomas encontram-se severamente ameaçados pelo crescimento das atividades antrópicas, desde a expansão da agricultura comercial, as crescentes urbanizações desordenadas, que produzem um considerável impacto negativo sobre os ecossistemas naturais no mundo em desenvolvimento.
 
Os ecossistemas florestais em todo o país têm sido progressivamente convertidos em fazendas comerciais e pastagens, que tem como consequências além das alterações dos fluxos das águas e as erosões dos solos, a perda da biodiversidade causada por esses desmatamentos.

Corremos o risco de extinguir espécies que não chegaram a ser conhecidas da ciência.

A diversidade biológica ao redor do mundo está sendo perdida em 1.000 vezes as taxas de extinção natural, como resultado das alterações dos habitats naturais.
 
Duas novas espécies de pererecas foram descobertas recentemente.

Recentemente foram descobertas duas novas espécies de pererecas (Anphibia: Anura: Hylidae) em diferentes regiões do nordeste na Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado do Brasil.
 
A Dendropsophus nekronastes foi assim batizada por ter sido encontrada em um corpo d'água próximo ao cemitério da cidade de Almadina, localizada no estado da Bahia, possui a forma da cabeça pontiaguda, o que é uma característica diferente da dos outros anfíbios do mesmo grupo; a nomenclatura “nekronastes” tem o significado de: “algo ou alguém que vive entre os mortos”. Foi descrita em artigo publicado na revista cientifica Plos One nº. 12, em março de 2017.
 
A outra perereca Phyllodytes megatympanum, encontrada em Ilhéus na zona costeira da Bahia, foi assim batizada por possuir grandes tímpanos para seu gênero (tímpano maior que o normal), tem dois centímetros de comprimento (rosto-anal) e mancha amarela entre as pernas, o que é uma característica específica. O artigo de descrição da espécie foi publicado na revista Zootaxa, de março de 2017.
 
A descoberta das duas novas espécies de pererecas é motivo de comemoração para cientistas, pesquisadores e ambientalistas, já que o bioma Mata Atlântica é um dos mais ameaçados do Brasil. Todavia, não podemos achar que, mesmo desmatando mais de 80% do bioma, ainda teremos diversidade de espécies; em algum momento vamos atingir todos os limites.
 
As espécies, até então desconhecidas da ciência, foram encontradas na Bahia por pesquisadores apoiados pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Com a descoberta dessas duas pererecas, chega-se ao número de 150 espécies encontradas por meio de iniciativas apoiadas pela Fundação.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

DIAS, I. R.; HADDAD, C. F. B.; ARGÔLO, A. J. S. & ORRICO,V. G. D. 2017. The 100th: An appealing new species of Dendropsophus(Amphibia: Anura: Hylidae) from northeastern Brazil. PLOS ONE. 12(3): 1-20. (PLOS ONE / DOI:10.1371/journal.pone.0171678. March 8, 2017).

HUMPHRIES, C. J.; WILLIAMS, P. H. & VANE-WRIGHT, R. I., 1995. Measuring biodiversity value for conservation. Ann. Rev. Ecol. Syst. 26: 93-111.

MARCIANO-JR, E.; LANTYER-SILVA, A. S. F. & SOLÉ, M. 2017. A new species of Phyllodytes Wagler, 1830 (Anura, Hylidae) from the Atlantic Forest of southern Bahia, Brazil. Zootaxa 4238 (1): 135-142.

http://www.fundacaogrupoboticario.org.br

https://www.researchgate.net/publication/314174681



Marcos Leão e Selene Vital, são redatores da coluna Meio Ambiente.

   

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