Pium, sexta 22 de setembro de 2017

Meio Ambiente

Há vida sustentável em nossas cidades?

10/09/2017 21h05

Créditos: Web Florestas Urbanas têm dinâmicas que lhes mantém saudáveis.
 Em comemoração ao “Dia do Biólogo”- 03 de Setembro de 2017

*Sérvio Pontes Ribeiro

Sim, é possível ter vida sustentável em nossas cidades. A solução se chama florestas urbanas.

 

Uma megametrópole moderna, em tempos de aquecimento global, precisa, além de neutralizar seu débito em Carbono, se preparar para as adversidades das mudanças rápidas do clima e das condições meteorológicas. Neste contexto, menos impermeabilização do solo e arborização com espécies de sistemas radiculares profundos são fundamentais para mitigar um dos piores problemas urbanos tropicas: enchentes! Da mesma forma, temos que estar preparados para cuidar adequadamente desta cobertura arbórea que também sofrerá com as intempéries por vir. Entretanto, é preciso que se entenda que árvores não se mantêm sozinhas, mas evoluíram para compor florestas! Florestas têm dinâmicas que lhes mantém saudáveis.

 

Florestas urbanas são melhores existindo com o que for possível do que não existindo! A grande questão é que, conceitualmente, não há floresta se não houver emergentes, ou árvores muito antigas (até pelos inúmeros habitats que os troncos velhos produzem e que são inexistentes nos troncos novos). Claro, as árvores mais recentes em uma cidade brasileira são nativas, mas não estariam hoje formando um dossel inferior se não houvesse o superior com as espécies que fossem, e estas são, ainda, exóticas! E sem esta camada superior, não teríamos a fauna que temos hoje em bairros de arborização mais antiga, onde, por exemplo, os pardais sumiram e foram substituídos por diversas espécies de aves brasileiras. Sim, o pardal, um invasor biológico, é resistente a ambientes urbanos degradados, mas não sobrevive à competição com espécies nativas onde a “floresta urbana” está bem estruturada. 

 

Por trás desta aceitação da coexistência com árvores velhas, mesmo que exóticas, está outro conceito desenvolvido recentemente na Ecologia: a existência de um Novo Ecossistema, inédito no planeta, mas funcional, deverá substituir o que mudamos. Em um Editorial do ano passado na Nature já se discutia que espécies exóticas terão que abrir novas portas para a evolução no nosso planeta profundamente modificado, e eventualmente prestar os serviços ambientais que espécies extintas faziam. Não é o melhor dos mundos, mas um mundo real.

 

Porém, vejamos, o que mais a proximidade a uma grande massa vegetacional nos proporciona? Muito solo. Isso mesmo! Uma vez por ano recolho as folhas secas que se acumulam nas canaletas e telhado de minha casa, em BH, que é rodeada de diversas espécies de árvores. A produção média varia entre 09 e 14 sacos grandes de matéria orgânica. A relação folhas/árvore versus biomassa produzida por superfície está sendo calculada. Este material é triturado e usado para gerar solo orgânico, junto com restos de alimento. Então, fica claro que todo um ciclo da fotossíntese à decomposição pode ser devidamente manejado dentro das cidades, mantendo equilíbrio microclimático, diversidade biológica e, inclusive, produção de alimentos!

 

*Lab. Ecologia Evolutiva de Insetos de Dossel e Sucessão Natural - UFOP

 
Texto reproduzido do Link: e-Bio nº.470 - Campanha do CRBio-04, para celebrar o Dia do Biólogo 2017 - Tema: "O Profissional em busca das respostas".


Redatores da coluna Meio Ambiente: Marcos Leão e Selene Vital

   

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