Pium, sábado 23 de junho de 2018

Meio Ambiente

Nossos Animais Silvestres: Jararaca-verde (Bothriopsis bilineatus)

09/01/2018 20h20

Créditos: Web. Jararaca-verde, subespécies Bothriopsis b. bilineatus e Bothriopsis b. smaragdinus.
Marcos Leão e Selene Vital

Jararaca-verde, Bothriopsis bilineatus (Wied, 1821) um réptil da Ordem Squamata, Subordem Ophidia, Família Viperidae. Também conhecida como Cobra-papagaio, Bico-de-papagaio, Paraambóia ou Surucucu-de-patioba. É uma serpente de pequeno porte, que pode alcançar até 1 metro de comprimento, e pesar cerca de 100 gramas. Não é aparente o dimorfismo sexual.

É uma serpente delgada, de linhas suaves, pequena e de vistoso colorido, que facilmente se mimetiza no verde dos arbustos da mata onde vive em ambiente umbrófilo, longe dos locais abertos e ensolarados.” - Cunha & Nascimento, 1993.

Espécie rara, de atividade crepuscular e noturna, ocorre principalmente em florestas de terra firme, rica em palmeiras; vive sobre árvores e moitas, possui a cauda preênsil devido ao hábito preferencialmente arborícola, mas é esporadicamente terrícola. Peçonhenta, possui pupila vertical, “fossetas loreais” e dentição solenóglifa.

Duas subespécies são reconhecidas para Bothriopsis bilineatus. A subespécie Bothriopsis bilineatus bilineatus (Wied, 1821): de coloração verde-claro na cabeça e parte superior do corpo; face com faixa postocular escura, placas labiais amareladas com bordas pretas; escamas pintalgadas de negro, principalmente na face; possui pequenas manchas de um amarelo-vivo na região vertebral; linha lateral amarelada, que se estende longitudinalmente por todo o corpo até a cauda; a região gular e o ventre, amarelo-limão (Fotos. 01 e 02).

A subespécie Bothriopsis bilineatus smaragdinus Hoge, 1966: também de coloração verde-claro; face com discreta ou sem faixa postocular, placas labiais de um verde-esbranquiçado; sem manchas amarelas na região vertebral; linha lateral esbranquiçada; sem as cores amarelas no ventre e região gular (Foto. 03).

As duas subespécies tem distribuição geográfica na América do Sul, sendo que a Bothriopsis b. bilineatus habita a porção leste do bioma Amazônia: Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil. (Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão e Mato Grosso), e na Mata Atlântica, do estado de Pernambuco até o Rio de Janeiro. E a subespécie Bothriopsis b. smaragdinus, ocorre na porção oeste da Amazônia: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, sul da Venezuela e Brasil (Acre, Amazonas e Rondônia).

Possui dieta generalista e variada, alimenta-se principalmente de rãs e pererecas (anuros), pequenos roedores (mamíferos), lagartos e serpentes (répteis), e também de pequenos pássaros (aves). Costuma caçar de espera sobre a vegetação a uma altura de 30 centímetros a 7 metros do chão, mantendo-se enrodilhada com o pescoço em “S”, ou raramente em caça ativa, com deslocamento à procura da presa.

São encontradas mais facilmente na temporada chuvosa e raramente nos meses mais secos, provavelmente pela disponibilidade de suas presas (quando naturalmente ocorre uma diminuição da abundância de anuros no período seco). Tem reprodução vivípara, parindo de 06 a 16 filhotes.

Etimologia: O nome científico Bothriopsis, Bothrops [do Grego] bothros = cavidade, orifício, fosseta, + ops = face, em alusão a “fosseta loreal” do gênero que se encontra localizada na face; e bilineatus [do Latim] bilineata, bi = dois e lineata = linhas, com referência as duas linhas laterais, que se estende por todo o corpo até a cauda. Significado: Serpente de “fossetas loreais localizada na face, que apresenta duas linhas no corpo". O nome popular: Jararaca provém da língua Tupy: yara’raka que significa “que tem o bote venenoso”.

As principais ameaças a espécie são as alterações e fragmentações do habitat, devido aos desmatamentos desenfreados para construção de hidrelétricas, o plantio de monoculturas, a implantação de pecuária extensiva; a matança realizada pelo homem (por ignorância e preconceito); o tráfico de animais silvestres e a biopirataria.
                                                                               
A Jararaca-verde (Bothriopsis bilineatus) é uma das maiores responsáveis por acidentes ofídicos (do Grupo I - Botrópico) na região Amazônica. Devido à sua natureza arborícola, desfere botes que atingem as partes superiores do corpo, a exemplo de mãos, braços, rosto e cabeça. O tratamento é realizado com soroterapia específica, utilizando o “soro antibotrópico”.

As serpentes costumam empreender fuga diante da aproximação de seres humanos e de animais de grande porte, porém, quando é surpreendida voluntária ou involuntariamente, tende a imobilidade e se defendem com uma série de “botes defensivos”, originando assim os acidentes ofídicos.

 

BIBLIOGRAFIA

 

CUNHA, O. R. & NASCIMENTO, F. P. 1993. Ofídios da Amazônia - As Cobras da Região Leste do Pará. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi. Série Zoologia. 9(1): 1-191.

 

FREITAS, M. A. & SILVA, T. F. S. 2005. Herpetofauna da Mata Atlântica Nordestina. USEB, Pelotas, 164 p.

 

GRANTSAU, R. K. H. 2013. As Serpentes Peçonhentas do Brasil. Vento Verde Editora. São Carlos - SP. 1ª Ed. 320 p.

 


 Marcos Leão e Selene Vital são redatores da coluna Meio Ambiente/Ecos do Tocantins.

 

 

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